Um bem precioso

Costumo dizer que: “A minha maior riqueza é o meu conhecimento, por isso sou muito pobre”. Por que sempre devo estar buscando conhecer.

Vivemos numa sociedade extremamente consumista, e até os mais conscientes e informados sabem da influência da mídia sobre nossa vontade psicológica de comprar. É um carro novo que me fará mais feliz, um aparelho que me tornará mais globalizado, ou uma roupa que abrirá um círculo de relações que eu jamais poderia alcançar. O marketing psicológico das empresas sabe bem o que nós consumidores precisamos.

Hoje não se investe num bem maior. Bem esse que não há ladrão, ou pessoa que consiga roubar. Penso que a nossa maior riqueza, é o nosso CONHECIMENTO e o SABER.

A maior alusão a esses dois temas correlacionados, encontramos no mito da caverna de Platão, alegoricamente ele diz: havia seres acorrentados dentro de uma caverna e entre a saída incline havia uma fogueira, fazendo com que eles vissem apenas as sombras das coisas, um dia um deles se libertou, e contemplou a luz da verdade, e descobriu que eles viam aspectos da realidade; e tentando libertar os outros, e acabou sendo morto.

Só conhecemos a realidade e a verdade por meio da luz do “conhecimento” e do “saber”. É o processo platônico de saída da caverna da nossa ignorância para sabedoria, do senso comum para o crítico, do pensamento de massa para a autonomia do pensar. Enfim, sabedoria e o saber são bens guardados no mais íntimo do nosso consciente. A sabedoria se encontra no cofre secreto do nosso interior.

Ser sábio, não é saber levar vantagem em tudo, mas aprender a perder. Nós, seres humanos, não estamos preparados nem educados para perder; e perder é ceder, e ceder na maioria das vezes é rebaixar-se; e rebaixar-se nunca é visto como um gesto de humildade, mas como derrota.

Ser sábio é saber ser humilde nos momentos oportunos, e saber reivindicar nossos direitos quando necessário. O conhecimento causa comportamentos estranhos nas pessoas. Algumas preferem demonstrar a todos o que sabem, tornando-se às vezes soberbos. Outros não admitem não ter o tão precioso bem, se tornado humilde (Sei que nada sei – Sócrates). Confesso que admiro o segundo, embora às vezes me comporte como o primeiro. Reafirmo que esse bem é considerado num plano cultural, existencial e antropológico. Pois num plano espiritual o nosso maior bem é o “transcendente filosófico”.

O nosso CONHECIMENTO e SABER são riquezas que levaremos conosco até a nossa morte, os meus bens físicos, que são poucos, não levarei comigo. Mas o que eu aprendi ninguém poderá tirar de mim. Por isso findo reafirmando: “A minha maior riqueza é o meu conhecimento, por isso sou muito pobre, pois tenho muito a conhecer”.

Por Márcio Alexandre da Silva (Márcio Alexandre da Silva é formado em Filosofia e educador da rede pública de ensino do Estado de São Paulo)

19 Response to "Um bem precioso"

  1. arioba Says:
    4 de maio de 2009 22:04

    Bom tema, caro Márcio, estou até tentando ser o primeiro a comentar.

    Sábio não é aquele que apenas tem conhecimentos, mas aquele que evolui igualmente moral e eticamente, que na religião se entende como "evolução do espírito"! É para isso que somos vivos, para evoluir nosso espírito.

    Mas para quê evoluir o espírito se depois da morte tudo se acaba? Essa é a questão da burrice humana, acha que tudo acaba na morte, apesar de todas as evidências e as religiões dizerem há milhares de ano dizerem que não é assim!! Se acumulamos conhecimento que desaparece quando morrermos, acumulamos para o quê?

    Se, entretanto, é o espírito que evolui faz sentido que acumulemos conhecimento, moral e ética? Faz sentido que a vida seja uma mera caminhada na direção de algo que ainda não sabemos direito qual seja, e que cada aproveita de forma diferente?
    Do ponto de vista de que o mundo acaba para quem morre, qual o equívoco de "viver a vida que a matéria proporciona"? As religiões, como os filósofos, então, continuam falando besteiras?
    E você está descobrindo a roda, caro amigo? Qualquer religião lhe diz o que você quer saber, que infelizmente é muito diferente do que dizem as igrejas!! Aqui começam as mazelas da humanidade, façam o que eu digo e não façam o que eu faço!! É o fundamento da imoralidade!!

    Meu bem precioso sou eu mesmo como espírito, que veio aqui quando nasci, e vai continuar quando eu morrer!! Aproveitei ou não a estada por essas plagas terrenas, e o mérito ou demérito será apenas meu mesmo! Não estou rico nem feliz, porque honestamente ainda não sei se cumpri a missão que me dispus a fazer quando por aqui resolvi surgir!! ]só sei com certeza, o que você também já sabe, da matéria não levarei absolutamente nada!!
    Linguagem estranha não é? Mas basta que nos perguntemos por que o homem é o único ser vivo na Terra que dispõe de uma inteligência racional amplamente crescente!! Alguém vai para uma escola para continuar burro?

    É isso aí, nossa vida aqui na terra é apenas um "curso" para a vida continuada como espírito. Aproveitamos ou não o curso que afinal, nós mesmos é que decidimos fazer!! O animal irracional é como a criança primária que é obrigada a ir à escola, faz parte do 'crescimento' inclusive físico!! Quando perguntamos a nos mesmo por que estamos na escola, significa que evoluímos alguma coisa como espíritos. Muitos ainda continuam cumprindo a tarefa, apenas, ainda não evoluíram como espíritos, que demanda também evoluir com o conhecimento!!

    Parece que prego uma religião, mas apenas prego a percepção de que a
    religião, pouco importam os nomes que tenha, sempre esteve certa, nós é que continuamos cegos, às vezes com muitos diplomas de "sábios", até mesmos dentro das igrejas!!

    Abraços.
    Arioba

  2. Márcio says:
    5 de maio de 2009 09:39

    Não entendi afirmação de Arioba “As religiões, como os filósofos, então, continuam falando besteiras?”.
    Qual será o motivo dessa afirmação anterior?
    Talvez o próprio autor possa explicar...
    Márcio Alexandre da Silva – Autor do texto original (Um bem precioso)

  3. Márcio says:
    5 de maio de 2009 09:40

    Não quero exaltar nem a religião muito menos da filosofia. Mas senhor Arioba o presidente, o advogado, juiz, professor, jornalista todos esses falam besteira... não entendo por estigmatizar tanto a filosofia e ou a religião. Fica maçante, cansativo e enfadonho sempre o mesmo discursos.
    Márcio Alexandre da Silva – Autor do texto original (Um bem precioso)

  4. Márcio says:
    5 de maio de 2009 09:41

    Estamos às vésperas de uma possível pandemia, será que a culpa é dos filósofos ou de cientista que fizeram mutações erradas colocando em risco a vida planeta. Hoje somos amanhã por conta de uma gripe poderemos deixar de ser.
    Será que mais uma vez os filósofos serão os “bodes expiatórios” da história?
    Márcio Alexandre da Silva – Autor do texto original (Um bem precioso)

  5. Azul Diamante* azul says:
    7 de maio de 2009 09:43
    Este comentário foi removido pelo autor.
  6. Azul Diamante* azul says:
    7 de maio de 2009 09:46

    O mito da caverna de Platão continuará enquanto houver pessoas que só aceitam o que está em frente dos seus narizes.
    Nunca se interrogam,apenas aceitam.

    Para quem conhece o tarot (não como um processo adivinhatório, mas como um estudo do processo de crescimento do Homem na terra. Ou seja a sua viagem terrena, sabe que o TOLO (arcano 0)-homem reencarnado- trará para este mundo, quando crescer, as influências do meio onde cresceu HIEROPHANT (arcano V), da mãe IMPERATRIZ(arcano III)do pai IMPERADOR (Arcano IV), as suas habilidades e potêncialidades naturais e adquiridas em encarnações anteriores MAGO (arcano I) e a sua passividade ou não PAPIZA (arcano II).

    E aqui está a explicação porque alguns vão muito mais além do que julgam ver.

    7 de Maio de 2009 09:43

  7. julio says:
    11 de maio de 2009 20:14

    Bom artigo. Ele expressa o cotidiano do mundo globalizado.

  8. Márcio says:
    12 de maio de 2009 09:35

    Valeu Júlio!
    Obrigado pela sua opinião.
    Márcio Alexandre da Silva – Autor do texto original (Um bem precioso)

  9. Márcio says:
    12 de maio de 2009 09:39

    Os alunos da Escola Estadual Prof. Oswaldo Moreira da Silva de Palmital – SP, entraram em contato comigo e disseram que fizeram uma visita ao Blog do Professor de Filosofia.
    Sugiro que os estudantes deixem suas opiniões e demonstrem a competência de pensadores e pensadoras.
    Um forte abraço a todos.
    Márcio Alexandre da Silva – Autor do texto original (Um bem precioso)

  10. Jéssica Daiane Dias - Palmital – SP Says:
    12 de maio de 2009 10:13

    A ideia central do texto é a sabedoria e o saber que são bens guardados no mais intimo do nosso consciente, são riqueza que levaremos conosco até a nossa morte.
    O teto esta muito bom, por que esta mostrando que riqueza não é comprar um carro, uma roupa e sim aquilo que levaremos sempre conosco.
    O texto também mostra o que acontece com as pessoas quando tem bastante conhecimento e se torna-se soberbas e outras não admitem tão precioso bem, se tornando humilde e isso é muito bom!
    Jéssica Daiane Dias aluna do terceiro ano do ensino médio, período da manha na Escola Estadual Prof. Oswaldo Moreira da Silva de Palmital – SP.

  11. Márcio says:
    12 de maio de 2009 10:15

    Esse comentário da Jéssica quebra um grande preconceito, o de que alunos do ensino médio das escolas públicas não são reflexivos. O exemplo podemos ver no belíssimo comentário da Jéssica.
    Márcio Alexandre da Silva – Autor do texto original (Um bem precioso)

  12. Patrícia dos Santos Silva Says:
    12 de maio de 2009 10:23

    O nome do texto já diz muito “Um bem precioso”, o texto esta escrito com palavras claras de bom entendimento.
    Estou sem palavras para escrever, o texto me tocou profundamente. Esta perfeito.
    Patrícia dos Santos Silva, Escola Estadual Prof. Oswaldo Moreira da Silva de Palmital – SP.

  13. Márcio says:
    12 de maio de 2009 10:47

    Patrícia disse muito bem que o texto explicita tudo sobre o texto.
    Márcio Alexandre da Silva – Autor do texto original (Um bem precioso)

  14. Mário Augusto Says:
    13 de maio de 2009 12:38

    Volto a citar aqui o que eu citei dentro de sua aula hoje.
    A idéia central do texto é mostrar exatamente o ponto em que se foca.
    Nós temos uma cultura, vivemos em um cotidiano no qual é dificil não ser consumista. A mídia influência muito nesse meio consumista, ligue sua TV e veja. ^^
    Quando cita-se : " LUZ DO CONHECIMENTO e do SABER ". Quer dizer que nós devemos usar a nossa capacidade intelectual para que possamos encontrar o CONHECIMENTO e assim sucessivamente conhecer o SABER.
    Algumas pessoas escolhem viver num quarto fechado cheio de brinquedos e ilusões, apartadas da verdade da humanidade. Geralmente muito débeis, infantis ou egoístas em demasia, preferem viver se cobrindo de alegorias e fantasias, mas sempre sendo assassinas e covardes em seus íntimo.
    Ao meu ver, a única coisa que penso sobre tal, é que o conhecimento é algo que nós usamos constantemente, talvez até o último dia de nossas vidas, mais porém, não usaremos ele após a morte, porque a morte acaba com tudo que nós construimos durante toda uma vida, e mesmo o conhecimento, ele não dura eternamente.

    (Mário Augsto aluno do segundo ano do ensino médio, período da manha na Escola Estadual Prof. Oswaldo Moreira da Silva de Palmital – SP).

  15. Márcio says:
    13 de maio de 2009 15:14

    Esse blog vem cumprindo a sua finalidade, exemplo disso é o comentário do Mauro no qual tenho prazer de ser professor dele na Escola Estadual Prof. Oswaldo Moreira da Silva de Palmital – SP.
    Participe outras vezes...
    Márcio Alexandre da Silva – Autor do texto original (Um bem precioso)

  16. Gabriela Silva Says:
    19 de maio de 2009 13:35

    Parabéns pelo artigo ! Muita gente deveria reflectir sobre este tema que mais não é que uma praga em quase todo o mundo industrializado
    onde as pessoas estão endividadas até à raiz dos cabelos . Com a crise e o desemprego que tem atingido imensas famílias as mesmas não têm conseguido cumprir as suas obrigações porque as dívidas são tantas e o dinheiro escasseia . Se pensassem um pouco apenas gastariam dentro do orçamento de cada um , mas a febre do consumismo falou mais alto .
    Seria bom que todos fóssemos humildes e assim o mundo seria melhor e o reino dos céus conforme as sagradas escrituras é dos pobres de espírito que mais não é que os humildes . Toda a gente quer à força ter um bom carro , uma bela vivenda , boas mobílias , viajar nas férias para sítios exóticos porque o vizinho e os amigos também têm tudo e eu posso muito bem me endividar para ter as mesmas coisas , mas é apenas uma falácia . Conforme diz , o nosso saber e conhecimento são riquezas intransmissíveis que levaremos para o mundo espiritual . Adorei o artigo .

  17. arioba Says:
    22 de maio de 2009 10:56

    Caro Márcio e caros amigos, desculpem-me se me expressei pejorativamente.

    Mas vamos aos fatos. Todos comentam o conhecimento como "algo que precisamos" para algum fim. Mas ninguém mostrou que fim teria depois que "morremos"!!

    Há o conhecimento individual, que cada um de nós "acumula" ao longo vida, e há o conhecimento da "sociedade" humana, acumalada através dos acervos que considero ser a religião, a ciência e as artes. Ninguém leva nada da "biblioteca" da sociedade humana, a não ser aquilo que consiga "acumular" para si mesmo. Acumular onde, por que e para o quê, quando nos deparamos como o fim da vida??

    Essa é a "filosofia" que tentei expressar com relação ao conhecimento!! O estudo de uma profissão é supérfluo, se não nos serve para nada depois que morremos, ainda que possa servir para a sociedade que fica!
    Até quando?

    Abraços.
    Arioba.

  18. polyane says:
    2 de outubro de 2009 15:58

    oi achei esse texto muito enteressante a minha professora de filosofia que me passou ele.
    e ate bolou umas perguntinhas.
    e achei esse texto quando estava procurando a respostas da suas perguntas.
    abraços...

  19. Jorge Ramiro says:
    16 de janeiro de 2014 07:34

    Eu realmente gosto da filosofia. Temos um grupo de filosofia e fazemos os encontros em ums restaurantes em barueri, toda segunda-feira.