O texto a seguir é literário, mas tem uma densidade de realidade.
Um jovem brasileiro insatisfeito com as crises de referências humanas no Brasil visita o Tibet, onde encontra um velho eremita. Esse estava com a obra Macunaíma de Mario de Andrade.
O jovem pergunta: - Porque o interesse pela literatura brasileira?
O velho hesita. Não responde e indaga: - O que fazes no Tibet?
O jovem brada: - Procuro resposta para a falta de referências humanas no Brasil...
Prossegue o velho: - O Brasil já teve grandes líderes; na educação Paulo Freire e Darcy, entre outros: na música Chico, Caetano, Gil e Bethânia; na fé, grandes baluartes, como Claudio Hummes, Paulo Arns, Casaldáliga, Hélder Câmara, frei Betto, Leonardo Boff e Rubem Alves, entre muitos.
O jovem diz: - Esses foram ótimos líderes, mas pouco se fala em Teologia da Libertação [TL] no Brasil. E a música chegou ao final do poço.
O velho já entristecido pergunta: - E o grande líder sindicalista, que conseguiu organizar com ajuda de outros e outras, em 1985 uniu celebridades e povo simples para juntos saírem a ruas é gritarem por Diretas Já. Como é mesmo o nome dele?
O jovem entristece ainda mais: - Lula! Lutou pelos direitos dos trabalhadores e excluídos, fundou o Partido dos Trabalhadores (PT) e, tornou-se o primeiro presidente operário [metalúrgico] do Brasil. Deixando saudade do sindicalista sincero e sensível às necessidades dos necessitados.
O sábio eremita concluiu: - O filósofo e teólogo José Comblin relembra a anedota do jumento, que ao mudar de dono não se alegra, pois só muda o batedor, mas os chicotes e as chicoteadas são as mesmas.
O velho dá a sua última lição: - Como no clássico da literatura brasileira, Macunaíma [Mario de Andrade]: os heróis brasileiros não são tão bons como se pensavam, sobretudo os políticos.
O jovem contribui: - Precisamos de referências para nos espelharmos, não para nos dominar, mas, ser incentivo para empenharmos numa mudança política, social e econômica.
O jovem aproxima-se do velho e indaga: - Como sabes tantas coisas do Brasil?
O ancião, como os olhos lacrimejando responde: - Nasci no Brasil, e com 18 anos de idade, devido ao Golpe Militar [1964], exilei-me no Tibet, em busca de paz e harmonia. E nunca mais tive vontade de voltar ao Brasil!
Reflitamos terminamos mais um ano; quem foram destaques em 2008? Operação Satiagraha, Dantas, Pitta, crise econômica se intensifica, morte de Isabela Nardoni e muitas outras tragédias. CADÊ NOSSAS REFERÊNCIAS? Cadê nossos líderes? Onde estão os nossos heróis?